CROSTA, 2026
Acervo pessoal
Pó de mármore
40 × 40 × 58 cm
Crosta nasce da compressão, da dobra e do tempo acumulado. A obra não descreve um corpo, mas convoca uma presença que dele se aproxima — como se a matéria, submetida à pressão, guardasse em si a memória de uma passagem. Sua superfície não se oferece como pele lisa, mas como campo de tensão: uma geologia sensível em que saliências, reentrâncias e contrações revelam o instante em que a forma deixa de ser impulso e se torna estrutura. Há, na obra, uma permanência silenciosa. O volume parece ter emergido de dentro de si mesmo, como algo que resistiu ao colapso e encontrou, na própria contenção, sua força. Em Crosta, a matéria não representa: ela afirma. E, ao afirmar-se, torna visível o limiar delicado entre erosão, corpo e permanência.

