Obras principais
Uma seleção de obras que atravessam a pesquisa escultórica de Mylene Costa, onde o corpo, o silêncio e o tempo se afirmam como matéria. Cada série revela a forma como experiência sensível e presença permanente.
premiações
Premiações que destacam o percurso de Mylene Costa, valorizando sua expressão artística singular e a sensibilidade que suas obras despertam.

Núcleo: Ópera
Passagem
2023
Acervo pessoal
Metal revestido por resina
25,5 × 80 cm
Passage é concebida como um intervalo escultórico — um limiar vertical que marca o ato de atravessar. A obra não representa o movimento; ela estabelece uma condição de trânsito, em que a forma se torna medida de tempo e de experiência.
A estrutura alongada sugere um corpo em suspensão, nem fixo, nem resolvido. Suas superfícies preservam variações sutis que interrompem a linearidade, afirmando que a passagem nunca é uma trajetória reta, mas uma sequência de tensões e ajustes. Solidez e vulnerabilidade coexistem, transformando a escultura em um eixo silencioso de resistência.
Mais do que uma imagem do caminhar, Passage propõe um estado de devir. Ela articula o espaço entre aquilo que já foi atravessado e aquilo que ainda permanece adiante, afirmando a continuidade não como certeza, mas como persistência. Nesse intervalo suspenso, a obra encarna a força silenciosa da transição — onde a presença se sustenta através do movimento.
Fenda do Tempo
2023
Acervo pessoal
Resina automotiva e pintura acrílica interna
60 × 25 × 20 cm
Fenda do Tempo é uma escultura que convida o espectador a atravessar a superfície visível da existência e adentrar camadas ocultas de delicadeza e memória. Suas formas curvas e vivas expressam movimento e vitalidade. O corpo externo da peça é pintado em amarelo intenso, representando a luz, o despertar e a força vital. No centro, a abertura revela uma passagem enigmática, que contrasta com o exterior luminoso e sugere profundidade e interioridade. A obra propõe uma reflexão sobre o feminino como potência: forte por fora, profundo por dentro. É também um convite à pausa, à contemplação e à escuta das vozes sutis do tempo — reafirmando a capacidade da arte de unir o visível e o invisível em uma mesma experiência.
Hiato 1133
2025
Acervo pessoal | Edição 1 de 5
Resina pimentada automotiva
79 × 40 × 50 cm
Hiato 1133 emerge como um limiar escultórico — uma fissura que interrompe a continuidade e abre um espaço de passagem. Em vez de narrar um acontecimento, a obra estabelece uma condição: uma pausa onde a matéria hesita e o significado começa a se desdobrar.
A escultura é estruturada como um intervalo vertical, uma forma suspensa que resiste ao fechamento. Suas superfícies fraturadas sustentam uma tensão entre solidez e abertura, sugerindo que a permanência não se alcança pela estabilidade, mas pela transformação. Os vazios não operam como ausências; funcionam como passagens ativas, convidando o olhar a atravessar da forma para a percepção.
O título atua como um código silencioso. 1133 não impõe uma interpretação, mas sinaliza uma convergência — um alinhamento entre gesto, tempo e saber interior. Em Hiato 1133, o ato escultórico torna-se um exercício de escuta: do silêncio, da fratura e daquilo que insiste em permanecer.
Mais do que um objeto, a obra propõe uma experiência de trânsito — entre matéria e ideia, interrupção e continuidade — afirmando o hiato como um espaço gerador onde a forma sustenta o sentido.
Cripta 4444
2025
Acervo pessoal
Resina com acabamento automotivo
69 × 20 cm
Na superfície facetada de Cripta 4444, o tempo se dobra. Entre planos e ângulos, pulsa o eco de uma memória antiga — como se a matéria guardasse a lembrança do que persiste. O verde metálico irradia uma vibração singular, unindo o orgânico ao tecnológico e revelando a arquitetura invisível do que é eterno. Nas suas camadas, parece viver uma frequência que sustenta aquilo que atravessa o tempo. Cripta 4444 não é apenas forma: é um núcleo de permanência, onde o silêncio se converte em energia.
Nebra 1999
2025
Acervo pessoal
Resina com acabamento automotivo
60 × 40 cm
Nebra 1999 estabelece um diálogo entre o que foi revelado e o que ainda permanece invisível. O título remete à descoberta, em 1999, do disco celeste encontrado na Alemanha — o primeiro registro humano do cosmos. A escultura retoma esse gesto ancestral de observar o tempo e convertê-lo em forma. Suspensa no espaço, a obra não representa o céu: cria o intervalo onde ele pode existir. Entre densidade e leveza, razão e mistério, Nebra 1999 se torna presença. Um corpo silencioso que guarda, na superfície da matéria, o instante em que o olhar humano aprendeu a traduzir o invisível.
série nebra
série corpo em silêncio
Tácita
2006
Acervo pessoal
Bronze
14 × 20 cm
Em Tácita, Mylene Costa modela em bronze o instante em que o corpo feminino repousa sobre si, sem a necessidade de dizer, explicar ou oferecer. A escultura encarna uma presença silenciosa e plena — onde a sensualidade não é exposta, mas percebida, como um segredo guardado na pele. As curvas revelam mais do que formas: revelam silêncio, memória e desejo contido. É o corpo entregue ao seu próprio tempo, ao seu próprio gesto, livre de qualquer expectativa que não a de ser. Premiada com o 3º lugar em Escultura no XI Salão Internacional de Artes Visuais do SINAP/AIAP, a obra foi destacada por um júri de excelência — Oscar D’Ambrosio, Eliana Tsuru e Márcio Schiaz — reafirmando a força simbólica de uma escultura que fala mesmo quando cala. Tácita é ausência de ruído. E por isso, presença absoluta.
Impulso Vital
2006
Acervo pessoal
Bronze
18,5 × 15 cm
Não foi um projeto. Nem um experimento. Foi uma urgência súbita, silenciosa e absoluta. A matéria tomou forma sem pedir licença, obedecendo a uma força anterior a qualquer intenção. Em minutos, o que sempre esteve latente emergiu — como se aguardasse apenas o instante exato para existir. “Impulso Vital” integra o acervo pessoal da artista. É o ponto inaugural de uma trajetória inevitável — o momento em que o ato de criar revelou-se não como escolha, mas como necessidade vital.
Évoa
2021
Acervo pessoal
Bronze
14 × 20 cm
Concebida em 2006 e fundida em bronze apenas em 2021, Évoa permaneceu velada durante anos, como um corpo em repouso à espera de seu momento. Seu nome evoca névoa e mistério, revelando a presença feminina como metáfora do que é guardado em silêncio até se transformar em permanência. Suas linhas contidas e delicadas traduzem o intervalo como potência, mostrando que cada criação tem o seu próprio tempo para emergir.
Ivena
2006
Acervo pessoal
Bronze
8 × 5 × 19 cm
Em Ivena, Mylene Costa modela o corpo feminino em um gesto de introspecção e intensidade íntima. A escultura traduz o instante em que desejo, memória e contemplação se encontram em silêncio, transformando-se em potência. Suas linhas revelam um feminino profundo, que encontra força no recolhimento e permanência na introspecção.
obras individuais
Rubra
2025
Acervo pessoal
Resina pimentada automotiva
55 × 30 × 30 cm
Rubra surge como uma erupção inaugural da matéria — um ponto em que gesto e forma se condensam em presença escultórica. Suas superfícies tensionadas capturam o momento em que a expansão encontra resistência, cristalizando o choque entre impulso e densidade.
Mais do que um instante de impacto, a obra sustenta aquilo que permanece depois dele. Seu corpo guarda a memória da energia bruta e se afirma como uma presença incontornável, onde forma e tempo reafirmam a permanência.
Nadir Solar
2025
Acervo pessoal
Resina pimentada automotiva
54 × 17 cm
Há um instante em que a noite se torna tão profunda que parece suspender o mundo. Nadir Solar surge desse limiar, o ponto em que a escuridão acolhe e cria um espaço interno de silêncio e respiração. A obra revela que a hora mais escura não é queda, mas preparo: o universo se recolhe antes de expandir. Suas dobras contidas e brilhos discretos evocam suspensão, onde nada se move, mas tudo vibra.
Incepta
2016
Acervo pessoal
Escultura em resina pigmentada
90 × 60 × 20 cm
“Incepta” é uma obra que nasce da tensão entre a rigidez e a fluidez, refletindo o percurso da mulher contemporânea entre a firmeza imposta pelo mundo e a necessidade interna de transformação. Originalmente modelada em aço, material que simboliza resistência e estrutura, a escultura foi posteriormente transposta para a resina pigmentada, uma escolha que ressalta a busca por movimento e flexibilidade. A transição de materiais não é apenas técnica, mas conceitual: ao trocar a rigidez do aço pela leveza da resina, “Incepta” simboliza a transformação contínua, a capacidade de adaptação e a força que se revela na suavidade. A forma abstrata da escultura, com suas linhas curvas e ausência de traços figurativos, convida o observador a refletir sobre a essência feminina que busca se manifestar além das expectativas de rigidez. É uma obra que sintetiza, de forma elegante e simbólica, o diálogo entre a força e a delicadeza, entre a estrutura e o movimento.
Sara 11:11
2025
Acervo pessoal
Resina com acabamento perolizado automotivo
76 × 20 cm
Sara 11:11 ocupa um território de suspensão entre fé, forma e tempo. Nela, Mylene Costa transforma a experiência da confiança absoluta em linguagem escultórica — a crença como estrutura, respiração e permanência da matéria. A superfície perolada sugere origem e revelação; sua luminosidade serena parece nascer de dentro, como se a obra abrigasse a própria luz que anuncia. A verticalidade, contida e firme, traduz a fé não como rigidez, mas como eixo — um centro estável a partir do qual o invisível encontra sustentação. Sara 11:11 não representa uma personagem, e sim um princípio: o da criação que surge daquilo que insiste em acreditar. Entre o humano e o sagrado, a escultura se torna testemunho silencioso de uma promessa cumprida — o instante em que a luz aceita tornar-se forma.














