PASSAGEM, 2023
Acervo pessoal
Metal revestido por resina
25,5 × 80 cm
Passage é concebida como um intervalo escultórico — um limiar vertical que marca o ato de atravessar. A obra não representa o movimento; ela estabelece uma condição de trânsito, em que a forma se torna medida de tempo e de experiência. A estrutura alongada sugere um corpo em suspensão, nem fixo, nem resolvido. Suas superfícies preservam variações sutis que interrompem a linearidade, afirmando que a passagem nunca é uma trajetória reta, mas uma sequência de tensões e ajustes. Solidez e vulnerabilidade coexistem, transformando a escultura em um eixo silencioso de resistência. Mais do que uma imagem do caminhar, Passage propõe um estado de devir. Ela articula o espaço entre aquilo que já foi atravessado e aquilo que ainda permanece adiante, afirmando a continuidade não como certeza, mas como persistência. Nesse intervalo suspenso, a obra encarna a força silenciosa da transição — onde a presença se sustenta através do movimento.


