VÉRTICE, 2026
Acervo pessoal
Pó de mármore
36 × 36 × 53 cm
Em Vértice, a forma não se expande: ela se concentra. A matéria parece puxada para um ponto de inflexão, onde dobras, torções e tensões deixam de ser superfície e passam a agir como estrutura. Nada aqui se oferece como anatomia. O que emerge é um eixo de presença, um corpo implícito que se sustenta pela compressão das forças que o atravessam. As ondulações não sugerem fluxo, mas contenção. São marcas de uma energia que encontrou resistência e, nesse embate, ganhou forma. A superfície guarda a memória do calor, da pressão e do desvio, como se cada dobra registrasse o instante em que a matéria decidiu não ceder, mas se organizar. Vértice é o lugar em que impulsos contrários se encontram e se fixam. Não como conflito interrompido, mas como convergência tornada forma. A obra afirma o momento em que a matéria alcança seu ponto de gravidade e transforma instabilidade em permanência.

